quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Apaixone-se

Se você ama uma pessoa, pouco a pouco a periferia dela desaparece, a forma desaparece. Você fica cada vez mais em contato com a não forma, com o interior.
A forma torna-se, pouco a pouco, vaga e desaparece. E se você vai mais fundo, até mesmo essa não-forma individual começa a desaparecer e fundir-se. Então, o além abre-se. Esse indivíduo particular era apenas uma porta, uma abertura. E através do ser amado, você encontra o divino.

Por não conseguirmos amar é que precisamos de tantos rituais religiosos. Eles são substitutos, e substitutos muito pobres.

Uma Meera não precisa de templo para ir. A existência inteira é seu templo.
Ela pode dançar diante de uma árvore e a árvore torna-se Krishna. Pode cantar diante de um pássaro e o pássaro torna-se Krishna. Pode criar Krishna ao seu redor em qualquer lugar.
Seu amor é tamanho que para qualquer lugar aonde olhe a porta se abre,
E Krishna é revelado, o amado revela-se.

Mas o primeiro vislumbre sempre vem através de um indivíduo. É difícil estar em contato com o universal. Ele é tão grande, tão imenso, tão sem começo nem fim. De onde começar? De onde mover-se para ele?
O indivíduo é a porta.
Ame.

E não faça disso um combate. Faça com que seja uma profunda aceitação do outro, um convite. Permita que o outro o penetre sem qualquer condição.
E de repente, o outro desaparecerá e Deus estará presente.

Se o seu amado ou amada não puder tornar-se divino, então nada neste mundo poderá tornar-se divino - toda sua conversa religiosa será simplesmente absurda.
Esse estado pode acontecer em relação a uma criança. Pode acontecer em relação a um animal, a um cachorro.
Se você puder estar num relacionamento profundo com um cachorro, poderá acontecer - o cachorro tornar-se-á divino!
Portanto, não é uma questão de relacionar-se apenas com um homem ou uma mulher. Esta é uma das mais profundas fontes do divino, que vem até você naturalmente, mas ela pode acontecer a partir de qualquer ponto.
A chave básica é esta - permita que o outro penetre em você, na sua essência mais profunda, no próprio âmago do seu ser.

Mas continuamos iludindo a nós mesmos. Pensamos que amamos.
E se você pensa que ama, não há nenhuma possibilidade do amor acontecer, porque se isto for amor, então tudo estará fechado.

Faça novos esforços.
Tente encontrar no outro o ser que está oculto. Não espere nada de ninguém. Cada indivíduo já está numa tal miséria que se você continuar esperando isto não terá fim.

Ficamos aborrecidos com o outro - porque estamos sempre e sempre na periferia.

Eu li esta estória:
Um homem estava muito doente e tentou fazer todos os tipos de tratamentos, mas nada adiantava. Então, ele foi a um hipnotizador que lhe deu um mantra, uma sugestão, para repetir continuamente: "eu não estou doente".
Durante pelo menos quinze minutos ao amanhecer e à noite, ele dizia:
"eu não estou doente - estou curado".
E o dia todo, sempre que se lembrava, repetia a mesma coisa.

Após poucos dias, ele começou a se sentir melhor. E, dentro de semanas, estava completamente bom.

Ele disse à mulher: "Isto foi um milagre! O que você acha de eu ir novamente ao hipnotizador para um outro milagre? É que ultimamente não estou sentindo nenhum apetite sexual, nenhuma vontade de ter relações. Não sinto nenhum desejo".

A esposa ficou feliz. Ela disse: "Vá - porque já estava me sentindo frustrada".

O homem foi ao hipnotizador. Ao voltar, sua mulher perguntou: "Qual foi o mantra, qual a sugestão que ele lhe deu agora?"
Mas o homem não pôde contar a ela.
Em poucas semanas, seu apetite sexual começou a voltar. Ele começou a sentir desejo novamente.
Sua esposa ficou muito intrigada. E sempre insistia em perguntar, mas o homem ria e nunca dizia nada.
Um dia, pela manhã, quando ele estava no banheiro, fazendo sua meditação, seus quinze minutos de mantra, ela procurou ouvir o que ele estava dizendo.
Ele estava dizendo:
"Ela não é minha esposa.
Ela não é minha esposa.
Ela não é minha esposa."

Sempre contamos com a outra pessoa.
Alguém se torna sua esposa - e a relação está liquidada.
Alguém se torna seu marido - e a relação está acabada.
Agora, não há mais nenhuma aventura.
O outro tornou-se uma coisa, um objeto.
O outro não é mais um mistério a ser buscado.
O outro não é mais novidade.

Osho

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