quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O Êxtase e a Arte de Testemunhar

Quando você estiver triste e entediado, simplesmente observe este estado, como se ele fosse alguma coisa fora de você; ele é. Você sempre é uma testemunha e agora está testemunhando tristeza e tédio.
 É fácil testemunhar a tristeza e o tédio, porque ninguém quer ficar mergulhado no tédio. E isto é muito importante porque você pode aprender toda a arte enquanto você estiver entediado. Simplesmente observe o tédio e na medida em que o seu testemunhar cresce, você verá que existe uma distância entre você e o tédio, a tristeza, a miséria, a dor e a angústia. Você não é parte de toda essa experiência; você está de pé no alto, acima das montanhas, um observador nas montanhas, e tudo mais está se movendo lá em baixo, no vale escuro.
 
        Você já tem o segredo, só falta praticá-lo mais e mais. Sente-se ao lado de um burro, sente-se ao lado de um búfalo; fique olhando para o búfalo e você ficará entediado. Por todo lado você pode encontrar objetos que serão imensamente úteis. Você não precisa esperar pela chegada desses momentos, porque quem sabe quando o búfalo se aproximará de você? Por que não ir até o búfalo?
 Você pode se enfiar no meio do gado e sentar-se entre os animais. Você vai se sentir entediado. O gado fica pastando e mastigando o capim. Você acha que você vai começar a pastar? Você não vai se envolver naquilo. Sentado no meio do gado, entre os búfalos, você vai se sentir apenas como uma testemunha.
         Não fique triste nem entediado. Deixe que o tédio esteja ali, assim como a tristeza. E você permanece sendo simplesmente uma testemunha. Nestas situações, isto é mais fácil. Depois que você já tiver fortalecido a sua testemunha, experimente então testemunhar aqueles momentos de êxtase, aquelas alturas... Aí será um pouco mais difícil, pois virá uma vontade de lançar-se naquele espaço cheio de ondas. Quem vai querer ficar sentado num banco só observando? Surge o medo de que aquele momento se vá, se perca, se ficarmos só observando.Não se preocupe. Se você testemunhar, o momento vai permanecer ali, a experiência vai crescer ainda mais e vai tornar-se cheia de cores. Mas em momento algum fique identificado com a experiência. Permaneça desapegado, simplesmente um expectador.A arte é a mesma, não importa se é com o tédio ou com o êxtase. O que importa é que você não esteja envolvido, que mantenha a distância, que permaneça ali, parado.

Quando testemunhar, você ficará surpreso, pois o tédio, a tristeza, a felicidade, o êxtase, seja o que for, vai começar a se mover para longe de você. Na medida que o seu testemunhar fica mais profundo e mais forte, se torna mais cristalizado, qualquer experiência, boa ou má, bela ou feia, desaparece. Existe um puro nada por toda a sua volta.O testemunhar é a única coisa que pode torná-lo mais consciente do imenso nada que o circunda. E nesse imenso nada... Não é vazio, lembre-se. Em inglês não existe uma palavra para traduzir a palavra budista shunyata. Esse nada não é vazio, ele é cheio da sua presença, cheio do seu testemunhar, cheio da luz de sua testemunha.
Nesse nada, você se torna quase um sol, e os raios do sol movem-se dentro do nada em direção ao infinito.
         Um dos místicos indianos, Kabir, disse, ‘Minha primeira experiência foi com o sol e na medida em que minha experiência foi crescendo, vi que o sol externo é nada e o sol interno é infinito. A sua luz preenche todo o infinito da existência. E em tal momento eu sou apenas uma testemunha; eu estou lá.’
 

        Assim, comece testemunhando o seu tédio, a sua tristeza, porque a questão não é o objeto, a questão é a arte de testemunhar. Comece com qualquer objeto – raiva, ódio, amor, ciúme – qualquer coisa serve. Se você nada encontrar, pegue um espelho e olhe para a sua face, testemunhe-a. E você ficará muito surpreso, pois quando você está num completo estado de testemunhar, o espelho se torna vazio, você não está nele.Em total testemunhar, o objeto desaparece.Pela primeira vez você será capaz de ver o espelho como um nada.Comece com coisas que são mais fáceis, e depois passe para as que são mais onduladas. A ponte é simples."

Osho

1 comentários:

Pithan Pilchas disse...

Olá Bárbara,

excelente matéria, muito interessante.

Bju

Paulo

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