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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Iluminação & Ilusão


A mente tem dois rostos, duas facetas, que são os dois aspectos da realidade. Estes aspectos são a iluminação e a ilusão.

A iluminação é o estado da mente pura. É o conhecimento não-dualista, chamado sabedoria primordial. Suas experiências são autênticas, isto é, elas são sem ilusão. A mente pura é livre e dotada de numerosas qualidades.

A ilusão é o estado da mente impura. Seu modo de conhecimento é dualista; é a consciência condicionada. Suas experiências estão maculadas pelas ilusões. A mente impura é condicionada e dotada de muito sofrimento.

Os seres comuns experienciam este estado de mente impura e deludida como sendo o seu estado habitual. A mente pura, iluminada, é um estado no qual a mente realiza sua própria natureza, livre das condições habituais e do sofrimento associado a elas. Este é o estado iluminado do buddha.

Quando nossa mente está em seu estado impuro, deludido, somos seres comuns que se movem através dos diferentes reinos da consciência condicionada. As transmigrações da mente dentro destes reinos fazem seus giros indeterminados na existência condicionada, cíclica, ou ciclo de vidas — samsara em sânscrito.

Quando purificada de toda ilusão samsárica, a mente não mais transmigra. Este é o estado iluminado de um buddha, é a experiência da pureza essencial de nossa própria mente, de nossa natureza búddhica. 

Todos os seres, quaisquer que sejam, têm a natureza búddhica. Esta é a razão pela qual todos podem realizar a natureza búddhica. Como cada um de nós possui a natureza búddhica, é possível atingir a iluminação. Se já não a tivéssemos, nunca poderíamos ser capazes de realizá-la.
Então, o estado comum e o estado iluminado são distinguidos apenas pela impureza ou pureza da mente, pela presença ou ausência de ilusões. 

Nossa mente presente já tem as qualidades do estado búddhico; essas qualidades permanecem em nossa mente, elas são a natureza pura da mente. Infelizmente, nossas qualidades iluminadas são invisíveis para nós porque estão mascaradas por diferentes mortalhas, véus e outros tipos de mácula.

Buddha Shakyamuni disse, "A natureza búddhica está presente em todos os seres, porém escondida por ilusões adventícias; quanto purificadas, eles são verdadeiramente o Buddha."

A distância entre o estado comum e o estado iluminado é o que separa a ignorância do conhecimento desta natureza pura da mente. No estado comum, é desconhecida. No estado iluminado, é totalmente realizada. A situação na qual a mente é ignorante de seu estado real é o que chamamos de ignorância fundamental. 

Ao realizar sua profunda natureza, a mente é liberada desta ignorância, das ilusões e condicionamentos que a mente cria, e então entra no incondicionado estado iluminado, chamado liberação.

Todos os ensinamentos de Buda e suas práticas envolvem a purificação, tirar as ilusões da mente, e proceder de um estado maculado para um imaculado, da ilusão para a iluminação.

Fonte: Kalu Rinpoche. Luminous mind: the way of the Buddha.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A Impermanência - O Grande Desafio!


O principal fator que determina um renascimento humano é o desejo. É um sentimento saliente em nossa vida. A partir disso, o que exatamente cada um procura depende da cultura, da educação, das preferências pessoais e das tendências habituais de vidas passadas. O desejo possui diferentes faces – por exemplo: apego, saudade e paixão – e sempre envolve um forte anseio de se conseguir satisfação e alegria pessoal. Uma vez que as necessidades físicas de cada um também são fortes, o desejo é a força determinante: a busca por amor e relacionamento. O desejo colore a percepção de maneira profunda e, a não ser que se liberte desse ponto de vista limitado, ele fará com que se explore a satisfação no mundo externo. O desejo é como o fogo, que sempre precisa de mais combustível.

Independência verdadeira
O budismo busca fazer com que os seres se tornem totalmente independentes. Uma independência verdadeira só pode aflorar quando se tem conhecimento sobre a mente. A mente está além dos dualismos do bem e do mal, da luz e da sombra, do masculino e do feminino, e assim por diante. Desta forma, a independência só pode ser obtida quando se vai além dos extremos do apego ou do afastamento. Mesmo assim, no que tange à busca pela felicidade, acaba-se afundando na lama das fixações dualísticas.

O que vem a ser a alegria suprema e como é possível atingi-la? Usualmente se pensa que a felicidade corresponde à ausência de sofrimento. 

A conseqüência disso é que se passa a lutar a favor ou contra alguma coisa, tentando sempre aproximar algo ou manter alguma coisa afastada. Ainda que se pense dessa maneira, a estratégia não conduz à alegria suprema. Ainda que se experimentem os melhores momentos, não se tem o poder de congelá-los, de forma a manter esses momentos de felicidade. 

Alguém pode estar às margens de um lago,olhando para os olhos da nova namorada, e ficar de tal forma encantado que não sabe se olha para os olhos dela ou para o lago... O vento sopra gentilmente, os pássaros cantam, enfim, tudo é perfeitamente romântico. Por mais que se queira, infelizmente, manter este momento é impossível.  A vida está em constante mudança, e a impermanência sempre interfere em nossas idéias, desejos e vontades. Justamente por isso, Buda definiu a impermanência como um dos maiores sofrimentos da humanidade.Ainda assim, pode-se aprender algo de muito importante através da impermanência. Pode-se aprender como basear o amor em uma constante percepção disso. Este treinamento abrirá a porta para o vazio ou a sabedoria. Uma vez perguntei para Lopön Tsetchu Rinpoche se ele percebia as montanhas da mesma forma que nós. Ele disse: “eu vejo as mesmas montanhas e também a sua beleza, mas, ao mesmo tempo, eu enxergo a sua natureza impermanente”.


O melhor que se pode fazer é confiar sempre no momento, estar sempre bem disposto a cada momento e aproveitar ao máximo o que quer que aconteça. Estar consciente sobre a impermanência é um passo importante em direção à sabedoria. Uma independência verdadeira significa estar feliz, independentemente de a namorada estar chegando ou partindo. Isso é um desafio e tanto, mas é isso o que se busca no budismo. Tenta-se perceber a verdadeira natureza da mente, que existe sem que tenha havido um começo.

A mente não foi criada; não tem uma natureza sólida; a mente não tem fim. Ela é uma vazão constante de momentos conscientes nos quais está presente a habilidade de experimentar, saber e compreender, e de se apaixonar. Com mais e mais relances da natureza da mente, a pessoa torna-se apta a experimentar a si mesma de maneira rica e a perceber que não há razão para se prender.

Ao ter acesso a essas qualidades da mente, cada um passa a ter muito a oferecer. A própria pessoa torna-se um presente para o mundo. Qualquer relacionamento torna-se mais rico quando se sabe o que se tem para dar. A vida torna-se mais rica e, em cada projeto, relacionamento ou tarefa que se participe, a pessoa tornase um “pilar firme”.

Fonte: http://www.caminhododiamante.org/php/publicacoes/anexo_55c3706c.pdf

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ganesha Chaturthi




Mantra:
OM GAM GANAPATAYE NAMAHA
"Saudações Om e prostrações ao Senhor Ganesha"

"Este mantra invoca o Senhor Ganesha para remover todo impedimento em sua vida e em suas obras. Pela meditação constante sobre esse mantra, todos os obstáculos e energia bloqueada em seus corpos físico e astral são liberados.
Ele traz escrito e conhecimento. Mas ele é mais freqüentemente conhecido como o "Quebra de Obstáculos". Isto não significa que, se algo bloqueia seu caminho para o sucesso que apelar para Ganesh resultará em seu trovejando através de sua oposição, como alguns juggernaut grande (a palavra deriva do nome de uma divindade hindu Jaganath). Em vez disso, Ganesh quebra obstáculos, trabalhando em torno delas. Ele não pode ajudá-lo a corrigir um relacionamento, mas ele pode ajudar você a encontrar um novo. Ele pode não te dar um aumento no trabalho, mas você pode obter uma oferta de emprego de outra empresa para obter mais dinheiro. Ganesha é um guerreiro, mas não é a luta por causa da luta. Na verdade, é por isso que ele perdeu a cabeça e teve que ser substituído com a cabeça de um elefante. Ao contrário, Ele ajuda você a encontrar outras maneiras de superar obstáculos. Os verdadeiros obstáculos Ele quebra são aqueles que impedem você de reconhecer soluções alternativas. "

Maha Mantra: Hare Krishna Hare Rama


Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare
Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, 
Hare Hare

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Mantō-E: As Lanternas Iluminadas

Todos os anos no mês de agosto acontece o
Mantō-E: Festival das Lanternas Iluminadas.

Mantō-E  é um processo de culto do budismo de tradição milenar pela qual, pendurando num lugar alto inúmeras lanternas iluminadas cultua-se os Budas e os Bodhisattwas. Quando oferecemos as lanternas em memória aos nossos antepassados e/ou amigos já falecidos, mesmo os que estejam perambulando pelo "umbral" (como é chamado no espiritismo), estes são conduzidos pela claridade dessas lanternas ao mundo dos Budas e Bodhisattwas, sendo assim os espíritos que estão em sofrimento saem do mesmo, e espíritos que não estão recebem ainda mais luz.  Os espíritos que não sabiam como e nem por onde estavam andando, enxergam claramente as lanterninhas, e intuitivamente sentem que indo até lá podem ser salvos e, com isso, recobram seus ânimos.

Porém para os espíritos que não foram dedicadas lanterninhas pelos seus descendentes, esta claridade não pode ser vista.

No Festival de Mantō-E é também o momento em que podemos escrever nossos pedidos nas lanterninhas que são dedicadas a Buda.

O culto de dedicação de lanternas iluminadas aos nossos antepassados é uma das formas de cortarmos os karmas que possuímos!

*Neste ano o Mantō-E acontecerá do dia 11 e 12 de agosto de 2012 (Brasil)  e dia 13, 14 e 15 de  agosto de 2012 (Japão)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Junho - O Mês do Meio Ambiente!

Olá pessoal, chegamos no mês do meio ambiente. Muitos eventos ocorrem neste mês, desde a Virada Sustentável a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, será realizada de 13 a 22 de junho de 2012.


Veja algumas ações que podemos tomar em relação ao meio ambiente:


Exploração dos recursos vegetais de florestas e matas de forma controlada, garantindo o replantio sempre que necessário; - Preservação total de áreas verdes não destinadas a exploração econômica;


Ações que visem o incentivo a produção e consumo de alimentos orgânicos, pois estes não agridem a natureza além de serem benéficos à saúde dos seres humanos;



Exploração dos recursos minerais (petróleo, carvão, minérios) de forma controlada, racionalizada e com planejamento;


Uso de fontes de energia limpas e renováveis (eólica, geotérmica e hidráulica) para diminuir o consumo de combustíveis fósseis. Esta ação, além de preservar as reservas de recursos minerais, visa diminuir a poluição do ar;


Criação de atitudes pessoais e empresarias voltadas para a reciclagem de resíduos sólidos. Esta ação além de gerar renda e diminuir a quantidade de lixo no solo, possibilita a diminuição da retirada de recursos minerais do solo;




Desenvolvimento da gestão sustentável nas empresas para diminuir o desperdício de matéria-prima e desenvolvimento de produtos com baixo consumo de energia;


Atitudes voltadas para o consumo controlado de água, evitando ao máximo o desperdício. Adoção de medidas que visem a não poluição dos recursos hídricos, assim como a despoluição daqueles que se encontram poluídos ou contaminados.


Os Benefícios:
A adoção de ações de sustentabilidade garantem a médio e longo prazo um planeta em boas condições para o desenvolvimento das diversas formas de vida, inclusive a humana. Garante os recursos naturais necessários para as próximas gerações, possibilitando a manutenção dos recursos naturais (florestas, matas, rios, lagos, oceanos) e garantindo uma boa qualidade de vida para as futuras gerações

Faça sua parte você também e lembre-se: Nossas ações impactam o meio ambiente de todos.


Por: Bárbara Ribeiro

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Indicação de Filmes: Samsara - O Filme

Olá queridos amigos que acompanham o [ Blog da Bárbara Ribeiro ] vou começar a indicar filmes relacionados com a temática do blog, e o primeiro é: Samsara - O Filme.
Samsara no Hinduísmo e Budismo é o ciclo de reencarnação, que não é considerado uma coisa boa, pois a maior busca dessas religiões/filosofia é conseguir sair deste ciclo, da famosa Roda de Samsara. 
Sinopse:
Samsara é uma produção independente de 2001, indiana, italiana, francesa e alemã. Conta a historia de um monge budista que busca a iluminação. Desde os 5 anos de idade ele viveu sob a vida em um monastério, até o momento em que se torna um homem e decide conhecer a vida “mundana” material ao se apaixonar e sentir grande atração por uma camponesa chamada Pema. Mostra uma faceta do misterioso mundo da região do Tibet, em uma instigante história de uma busca profunda, que ocorre entre o dilema: procurar a verdade única do nirvana ou satisfazer a 1000 desejos do corpo e da mente de um homem “comum”…. Aclamado em toda a Europa vencedor de diversos festivais de cinema.
Download: (São 2 DVDs divididos em 3 partes cada)
DVD1: Parte1Parte2Parte3
DVD2: Parte1Parte2Parte3

sexta-feira, 6 de abril de 2012

I Ching - 易經 Gen (A quietude)

I Ching - 易經

Gen (A quietude) - esclarece a sabedoria de parar no momento certo, no lugar certo; uma vez que existem os movimentos, existe naturalmente a interrupção do movimento. No curso da vida, saber conter-se ou parar de acordo com a conveniência local e temporal é uma sabedoria adquirida depois de profundo mergulho no sentido de viver. Parar no momento exato é parar antes do fim do curso. Simboliza o autocontrole, a quietude, a observação, o questionamento e a reflexão; é o limite inferior ou exterior; o silêncio, a solidez e a lentidão. É o domínio sobre o impulso; saber como controlar-se no destino; não ser seduzido pelas ilusões interiores e exteriores. Em última análise, parar na perfeição é parar na sublime bondade.

Mestre Wu Jyh Cherng

terça-feira, 27 de março de 2012

Gratidão aos Antepassados

A oração de gratidão aos antepassados é a base da prosperidade dos descendentes.

Ao constituírem a própria familia, os filhos devem instalar um oratório em casa e prestar reverência aos antepassados. O oratório funciona como uma antena receptora das vibrações espirituais dos antepassados que proporcionam proteção aos descendentes.Veja, por mais que a emissora de TV transmita bons programas, não se pode captá-los sem uma antena no aparelho receptor. Da mesma forma, por mais que os antepassados enviem vibrações mentais protetoras, os descendentes não prosperarão se não tiverem a postura mental de recebê-las.

Massaharu Taniguchi

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O olho do furacão...

O que é simplicidade? não é propriamente, o resultado de uma simplificação no sentido de você ir resolvendo as coisas. Exemplo: quando você precisa trabalhar oito horas por dia e decide trabalhar apenas uma para simplificar sua vida, você não vai encontrar simplicidade como resultado.

O taoísmo deixa bem claro que dentro de um caminho da naturalidade, nós devemos saber cumprir nossas tarefas diárias, naturalmente dentro do espírito da simplicidade, ou seja, tendo a mesma simplicidade para resolver tanto um problema de troco com o feirante, quando para resolver uma grande questão na Justiça.

Um processo na Justiça é muito mais complicado do que R$ 0,50 que o feirante cobrou a mais de você. Aparentemente, então, o problema do troco é muito mais simples e o processo na Justiça muito mais complexo.

Mas a simplicidade que Lao Tzé se refere é aquela de você saber encontrar o espírito para poder administrar qualquer situação com o mesmo estado interior. Você vai administrar o problema dos R$ 0,50 que estão faltando no troco com a mesma simplicidade com que vai administrar o grande processo na Justiça. Os dois assuntos têm grau de complexidade diferentes, mas a simplicidade com que você vai administrá-los é a mesma.

Então, a simplicidade que Lao Tzé se refere é um estado interior. Em que as circunstancias e momentos nós somos capazes de encontrar essa simplicidade? De que maneira você pode conseguir ser mais simples interiormente para conseguir administrar suas coisas complicadas ou não? você vai encontrar essa simplicidade interior quando conseguir ter a quietude interior, quando tiver o silencio interior.

O que é quietude e silencio interiores? são uma espécie de calma e lucidez que você mantem dentro de você, que lhe permite observar as coisas sem ser levado por elas. Esse é um dos conceitos fundamentais do taoísmo.

O taoísmo também tem um conceito chamado “wu-Wei” (“wu” é não e “wei” é ação). Mas o que seria a não-açao? é fazer as coisas sem intenção. através da “não ação”, o que não significa você deixar de agir, deixar de fazer a ação. E como isso poderia se concretiza? A “não-açao” é um estado interior e a ação é uma atividade externa. Isso significa que você tem uma atividade externa sem atividade correspondente no seu interior.

Essa realidade poderia ser comparada a um furacão, que tem muito movimento à sua volta, mas no seu interior tem um vazio, uma quietude que é chamada de “olho do furacão”. Está claro, no entanto, que as nossas atividades externas cotidianas não precisam, necessariamente, ser fortes como o vento do furacão, mas de qualquer forma, essa imagem lembra os nossos incessantes envolvimentos com as pessoas, o trabalho, as situações, de um modo geral. É como se fosse o vento, que gira na periferia, mas enquanto ele gira, o nosso estado interior deveria ser como o olho do furacão. Estar sempre em plena quietude.

Dessa maneira, a ação através da não ação externa que preserva uma “não ação” interior: é uma atividade externa que mantém uma calma, uma quietude interior. Então, a quietude interior é exatamente o que nós chamamos de silencio, quietude e vazio interiores, que simplesmente nos permitem enxergar tudo à nossa volta com lucidez interior.

Quando nós perdemos esse “olho do furacão”, nossa consciência fica recebendo estímulos apenas do exterior e nós passamos a ficar envolvidos pelas situações. A partir desse momento, não somente a sua atitude física e material, mas o seu espírito também vão ficar envolvidos na periferia do turbilhão do ar, você vai ficar rodando em torno do “olho do furacão” e com isso vai começar a não enxergar direito o que acontece à sua volta e perder a lucidez.

Mas se você quiser manter essa lucidez, quiser continuar enxergando as coisas, vai precisar preservar a quietude interior. Esse é o primeiro ensinamento de Lao Tzé e é por isso que ele diz que sua palavra é bastante fácil de compreender e bastante fácil de praticar.

Como você poderia praticar? mantendo o silencio interior. Exemplo: da próxima vez em que você estiver conversando com outras pessoas, ou dando aula, trabalhando, discutindo, analisando, etc., enquanto estiver fazendo isso procure observar-se, procure colocar sua consciência observando o que você está falando e fazendo, como se aquele que se exterioriza fosse um e a consciência que observa fosse outro.

Nessa hora você vai observar que você são dois: existe um “eu”, que é você, e mais no fundo de você mesmo, no seu interior existe um outro “eu”, quieto, que observa o primeiro, que é aquele que fala, gesticula, conversa, se exterioriza e manifesta opiniões. Nessa hora, você começa a encontrar a quietude interior. Procura manter sempre essa quietude interior, sem que tenha que parar de cumprir suas atividades e tarefas cotidianas.

Wu Jyh Cherg

Projeções

Quando você se apaixona por alguém; você não se apaixona pela pessoa real, você se apaixona pela pessoa de sua imaginação. E enquanto vocês não vivem juntos,  e você vê o outro da sua sacada,  ou você o encontra na praia por alguns minutos, ou você segura suas mãos no cinema, você começa a sentir: “Somos feitos um para o outro” .

Mas ninguém é feito um para o outro. Você vai  projetando mais e mais imaginação sobre o outro, inconscientemente. Você cria um certa aura em torno dele e ele cria uma certa aura em torno de você. Tudo parece ser lindo, porque você faz tudo parecer lindo, sonhando, evitando a realidade.  E ambos ficam sonhando, tentando de todas as formas possíveis não perturbar a imaginação do outro.

Assim, a mulher se comporta do jeito que o homem quer que ela se comporte; o homem se comporta do jeito que a mulher quer que ele se comporte. Mas isso só pode durar alguns minutos ou algumas horas no máximo.

Uma vez que vocês se casem e tenham que viver juntos vinte e quatro horas por dia, torna-se uma carga pesada continuar fingindo alguma coisa que você não é.

Preencher a imaginação do homem ou da mulher, por quanto tempo você pode continuar representando? Mas cedo ou mais tarde torna-se um peso e você começa a se vingar. Você começa a destruir toda a imaginação que o homem criou em torno de você, porque você não quer ficar aprisionada nela; você quer se livrar daquilo e ser você mesma.

E a mesma é a situação com o homem: ele quer se livrar e ser ele mesmo. E esse é o conflito entre todos os amantes, em todas as relações.

A realidade é: somos sozinhos, somos estranhos e será muito melhor se aceitarmos a verdade básica de que somos estranhos. Podemos saber o nome um do outro, podemos ter visto o rosto um do outro muitas vezes – isso não importa. Nossos seres estão tão escondidos e tão lá no fundo, que não há como eu poder tocar o ser de alguém, ou possa ver o ser de alguém – e é aí que reside toda a estranheza. Mas não acho que isso seja uma catástrofe; pelo contrário sinto isso como uma benção. Se não fôssemos estranhos seríamos robôs. Nossa estranheza nos dá individualidade, singularidade.

Osho

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Rebelião não é luta, é pura compreensão.

A rebelião da qual eu tenho falado não tem que ser feita contra ninguém. Ela não é na verdade uma rebelião, mas somente uma compreensão. Não, você não tem que lutar contra os padres, as freiras e os pais externos. E você não tem também que lutar contra os padres, freiras e pais internos. Porque, internos ou externos, eles estão separados de você. O externo está separado, e o interno também está separado. O interno é apenas o reflexo do externo.

Se você se rebelar contra sua própria mente, isso será uma reação, não uma rebelião. Note a diferença. A reação surge a partir da raiva; a reação é violenta. Numa reação você se torna cego de raiva. Numa reação você passa para o outro extremo.

Por exemplo, se os seus pais ensinaram você a ficar limpo e tomar um banho todo dia, e mais isso e mais aquilo, e se foi ensinado a você desde pequenino que a limpeza está próxima de Deus; o que você fará, se um dia você começar a se rebelar? Você vai parar de tomar banho. Você vai começar a viver imundo.

Isso é o que os Hippies seguiram fazendo ao redor do mundo. Eles pensavam que isso era rebelião. Eles passaram para o outro extremo. A eles foi ensinado que a limpeza era divina; agora eles estão pensando que a imundície é divina, que a sujeira é divina. De um extremo, eles passaram para o outro. Isso não é rebelião. Isso é raiva, isso é ira, isso é desforra.
 
          
Enquanto você estiver reagindo aos seus pais e às suas idéias de limpeza, você ainda está apegado àquelas mesmas idéias. Elas ainda estão dentro de você, elas ainda têm um poder sobre você, elas ainda são dominante, elas ainda são decisivas. Elas ainda decidem a sua vida, embora você tenha se tornado o oposto delas; mas elas decidem. Você não pode tomar um banho tranqüilo, pois você se lembrará de seus pais que o forçavam a tomar banho todos os dias. Agora você não quer tomar mais banho, de jeito algum. 
          

Quem está dominando você? Ainda os seus pais. O que eles fizeram com você, você ainda não foi capaz de desfazer. Isso é uma reação, isso não é rebelião. 
          

Então o que é rebelião? Rebelião é pura compreensão. Você simplesmente compreende qual é o caso. Então você não fica mais obcecado por limpeza, e isso é tudo. Isso não quer dizer que você vá se tornar sujo. A limpeza tem sua própria beleza. Mas a pessoa não deve ficar obcecada por ela, porque obsessão é doença.  

Por exemplo, uma pessoa lavando suas mãos continuamente por todo o dia - isso é neurose. Lavar as mãos não é uma coisa ruim, mas lavar suas mãos por todo o dia é loucura. Mas se, de lavar as mãos por todo o dia, você passar a não lavá-las; se você parar de lavá-las para sempre, então de novo você terá caído na armadilha, num outro tipo de loucura, o tipo oposto. 
          

Um homem de compreensão lava suas mãos quando é necessário, ele não está obcecado com isso. Ele é simplesmente espontâneo e natural a respeito disso. Ele vive inteligentemente e isso é tudo. 
          

Mas, se você não prestar muita atenção nos pequenos detalhes, não verá muita diferença entre obsessão e inteligência . Por exemplo, se você cruzar com uma cobra no caminho e você der um salto, naturalmente você deu um salto devido ao medo. Mas esse medo é inteligência. Se você não for inteligente, for estúpido, você não vai pular para fora do caminho e, desnecessariamente, estará colocando a sua vida em perigo. A pessoa inteligente irá pular imediatamente - a cobra está ali. Isso é devido ao medo, mas esse medo é inteligente, positivo, está a serviço da vida. 
          

Mas esse medo pode se tornar obsessivo. Por exemplo, você pode não querer sentar dentro de uma casa. Quem sabe? Ela pode desmoronar. E sabe-se que casas  se desmoronam, isso é verdade. Algumas vezes, elas têm desmoronado; você não está absolutamente errado. Você pode argumentar: 'se outras casas desmoronaram, por que não esta?' Agora você está com medo de viver sob qualquer teto - ele pode desabar. Isso é uma obsessão. Isso agora se tornou não-inteligente.
          

É bom estar alerta de que você está comendo um alimento limpo. Mas eu conheço um homem, um grande poeta... Certa vez ele viajava comigo. Sua esposa me contou, 'Agora você saberá o quanto é difícil viver com esse homem.' Eu perguntei: 'Qual é o problema?'. Ela disse: 'Você vai saber por si próprio.' Ele não bebia nenhum chá, nem água, em nenhum lugar. Era muito difícil, porque ele dizia, 'quem sabe se não existem germes no chá ou na água?' Ele não comia em nenhum hotel. Isso se tornou um tal problema... E nós tínhamos que viajar trinta e seis horas de trem e ele estava morrendo de fome e com sede e ele não bebia água. 
          

Eu tentei de toda maneira persuadi-lo. Ele dizia, 'Não. Quem sabe? E se houver germes? É melhor,' dizia ele, 'passar fome por trinta e seis horas e não comer. Eu não vou morrer, não se preocupe,' Mas eu podia ver que o homem estava torturando a si mesmo. Era um verão muito quente e ele estava com sede. E eu tentava em toda estação - eu trazia soda, trazia coca-cola, eu trazia tudo que podia. Mas ele dizia, 'Esqueça isso - eu não posso tomar nada a não ser que eu esteja absolutamente seguro. Qual é a segurança? Qual é a garantia?' 
          

E ele não estava absolutamente errado, isso é verdade. Você conhece a Índia, e você conhece as estações indianas e os hotéis indianos. Você sabe. Ele está certo, mas agora ele está levando essa lógica longe demais. 
         

Então eu disse a ele, 'Pare de respirar também!' Ele disse: 'Por que?' Eu disse: 'Quem sabe, qual é a garantia? Pare de respirar! Ou beba esta água ou pare de respirar!' Então ele olhou para mim assustado, porque eu estava realmente raivoso. 'Por que você segue respirando? Quem sabe, podem existir germes, existem germes em toda parte.'
          

Ele tomou uma xícara de chá, mas a maneira como ele tomou...! Sua face... Eu não consigo esquecer. Já se passaram dez anos, mas eu não consigo esquecer a sua face - era como se eu estivesse matando aquele homem! Eu era um assassino! E ele estava obrigando-me a isso.
          

Na estação seguinte, ele desceu e disse, 'Eu não posso viajar com você; eu vou voltar para casa. 'Eu disse, 'Qual é o problema? 'Ele disse, 'Você estava com tanta raiva, e parecia que você ia começar a me bater ou alguma coisa assim. E você disse: Não respire mais. Como eu posso parar de respirar?' Eu disse, 'Eu só estava dando a você um argumento, que se você pode respirar, por que não beber a água? É a mesma água indiana e o mesmo ar indiano. Não há com que se preocupar.'
          

Ele se recusou a viajar comigo. Eu tive que viajar sozinho. Ele retornou e desde então eu nunca mais o vi.
         

A pessoa pode se tornar obsessiva a respeito de qualquer coisa. Qualquer coisa que pode ser inteligente dentro de certos limites, pode se tornar uma neurose se você ampliar esses limites. Reagir é passar para o outro extremo. Rebelião é uma compreensão muito profunda, compreensão profunda de um certo fenômeno. A rebelião sempre mantém você no meio, ela dá a você um equilíbrio. 
          

Você não tem que brigar com ninguém, as freiras e os padres e os pais, externos e internos. Você não tem que brigar com ninguém, porque numa briga você nunca sabe onde vai parar. Numa briga a pessoa perde a consciência; numa briga a pessoa passa logo para os extremos. Você pode observar isso.
         

Por exemplo, você está sentado com seus amigos e, no meio da conversa, você diz, 'Aquele filme que eu vi ontem não vale a pena ser visto.' Isso pode ter sido um comentário à-toa, mas então alguém diz, 'Você está errado. Eu também vi o filme. Ele é um dos mais belos filmes que já foram feitos.' Você foi provocado, desafiado; e agora você se enche de argumentos. Você diz, 'ele não tem valor, é a coisa mais sem valor que existe!'  E você começa a criticar. E se o outro também insistir, você vai se tornar mais e mais raivoso e vai começar a dizer coisas que você nem mesmo tinha pensado a respeito. E mais tarde, se você olhar para trás e ver todo o fenômeno que aconteceu, você ficará surpreso pois quando você mencionou que o filme não valia a pena ser visto era uma afirmação muito moderada, mas com o passar do tempo você adotou argumentos e você já estava numa posição extremada. Você usou tudo que era possível, todas as palavras mais desagradáveis que você conhecia. Você condenou de toda maneira, você usou toda a sua habilidade para condenar. E você não estava com disposição para fazer isso no começo. Se ninguém tivesse contestado você, você poderia ter esquecido aquele assunto, você não iria nunca fazer aquelas afirmações pesadas.
          

Isso acontece - quando você começa a brigar, a tendência é você passar para os extremos. 
          
Eu não estou ensinando você a brigar com seus condicionamentos. Compreenda-os. Torne-se mais inteligente a respeito deles. Simplesmente veja como eles dominam você, como eles influenciam o seu comportamento, como eles modelam a sua personalidade, como eles seguem atingindo você pela porta dos fundos. Simplesmente observe! Seja meditativo. E um dia, quando você tiver visto o funcionamento dos seus condicionamentos, de repente um equilíbrio será alcançado. Em sua real compreensão você estará livre. 
          

Compreensão é liberdade, e essa liberdade eu chamo rebelião.
          

O verdadeiro rebelde não é um lutador; ele é um homem de compreensão. Ele simplesmente cresce em inteligência, não em raiva, não em ira. Você não consegue transformar a si mesmo tendo raiva de seu passado. Dessa maneira, o passado irá continuar dominando você, o passado continuará sendo o centro de seu ser, o passado permanecerá o seu foco. Você permanecerá focado, preso ao passado. Você poderá passar para o outro extremo, mas você ainda continuará preso ao passado.

          Fique alerta quanto a isso! Esse não é o caminho de um meditador, esse não é o caminho de um sannyasin. Sannyas é rebelião - rebelião através da compreensão. Simplesmente compreenda.
          Você passa ao lado de uma igreja e um profundo desejo surge em você de ir ao interior e orar. Ou você passa ao lado de um templo e inconscientemente você se curva diante de uma divindade do templo. Simplesmente observe. Por que você está fazendo essas coisas? Eu não estou dizendo para brigar. Eu estou dizendo para observar. Por que você se curva diante do templo? Porque foi ensinado a você que esse é o templo certo, que a divindade desse templo é a imagem verdadeira de Deus. Você sabe? Ou isso foi simplesmente dito a você e você continua seguindo isso? 
Observe!
          
Vendo isso, que você está simplesmente repetindo um programa que foi dado a você, que você está simplesmente repetindo um mesmo disco em sua cabeça, que você está sendo um autômato, um robô, você irá parar de se curvar. Não que você tenha que fazer qualquer esforço, você simplesmente irá se esquecer de tudo a respeito disso. Isso irá desaparecer, isso abandonará você sem deixar qualquer traço.
          

Quando você reage, o traço permanece lá. Mas, na rebelião não fica nenhum traço; é liberdade completa.
  
        
Você tem simplesmente que ser um observador. E o observar é a sua face original; aquele que observa é a sua consciência verdadeira. Aquilo que é observado é o condicionamento. Aquele que observa é a fonte divina de seu ser.

Osho

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Oito versos que transformam a mente...

Certa vez Geshe Chekawa, um monge tibetano que dominava inúmeros ensinamentos de diversas escolas, se deparou com uma tira de papel contendo um trecho de duas linhas e se maravilhou:

    Ofereça o ganho e a vitória aos outros.
    Tome a perda e a derrota para si mesmo.

Então, procurou até encontrar um mestre nessas instruções: Sharawa, discípulo de Geshe Langri Thangpa (mestre Kadampa do século XII, o autor da prática). Ao questioná-lo sobre a natureza daquelas linhas, teve a resposta:

    - Goste ou não desse ensinamento, você só pode dispensá-lo se não quiser alcançar o Estado de Buda.

Sharawa aceitou Chekawa como discípulo e o instruiu durante anos nessa prática que era a sua principal, denominada “Os Oito Versos que Transformam a Mente” (ou “Os Oito Versos de Langri Thangpa”). Após 6 anos de treinamento constante, o discípulo se realizou, eliminando todo e qualquer traço de egoísmo.

Os oito versos são:

    1. Com a determinação de alcançar
    O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
    Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
    Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

    2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
    A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
    E, com todo respeito, considerá-las supremas,
    Do fundo do meu coração.

    3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
    E, sempre que surgir uma emoção negativa,
    Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
    Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

    4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
    E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
    Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
    Muito difícil de achar.

    5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
    Ou a insultarem e caluniarem,
    Vou aprender a aceitar a derrota,
    E a eles oferecer a vitória.

    6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
    Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
    Vou aprender a ver essa outra pessoa
    Como um excelente guia espiritual.

    7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
    Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
    E a tomar sobre mim, em sigilo,
    Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

    8. Vou aprender a manter estas práticas
    Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
    E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
    Serei libertado da escravidão do apego.

As oito preocupações mundanas são:

    1. Desejar elogios
    2. Rejeitar críticas
    3. Desejar o prazer
    4. Rejeitar a dor
    5. Desejar o ganho
    6. Rejeitar a perda
    7. Desejar a fama
    8. Rejeitar ser ignorado

Dalai Lama

100 recomendações para Vida...

1.  Descubra seu maior defeito e disponha-se a corrigi-lo.

2.  Escolha até três exemplos de vida e determine-se a segui-los.

3.  Tenha força e sabedoria para resistir às tentações do mundo.

4.  Cultive a força da tolerância de forma a compreender, aceitar, assumir responsabilidades, ter determinação e melhorar as circunstâncias externas. Então, passe a cultivar a tolerância pela vida, a tolerância por todos os darmas e a tolerância pelos darmas não-surgidos de maneira a transformar o cultivo da tolerância em força e sabedoria.

5.  Aprenda a se adaptar à pressão externa e não se deixe afetar por ela.

6.  Seja ativo e destemido. Pense antes de agir.

7.  Envergonhe-se do que ignora, do que é incapaz, do que o torna impuro e rude.

8.  Faça com freqüência algo que toque o coração das pessoas.

9.  Sinta-se bem sob qualquer circunstância, siga as condições corretas, esteja sempre livre de aflições e faça tudo com alegria no coração.

10.  Ser corajoso e virtuoso é ter a capacidade de admitir os próprios erros.

11.  Aprenda a aceitar perdas, falsas acusações, contratempos e humilhações.

12.  Não inveje aqueles que praticam boas ações ou dizem boas palavras. Tenha sempre na mente, bondade e beleza.

13.  Não empurre os outros para a beira do abismo; ao contrário, dê-lhes espaço para recuar — um dia eles poderão lhe ajudar.

14.  Sirva àqueles que desejam fazer o bem, compartilhe um objetivo. Favoreça os outros e respeite seus anseios.

15.  Seja amável e humilde ao relacionar-se com as outras pessoas. Expresse bondade em seu semblante e em sua fala.

16.  A capacidade de doar traz abundância verdadeira.

17.  Importe-se apenas com o que é certo ou errado; não se fixe em perdas e ganhos.

18.  Deixe de lado pensamentos egoístas e dedique-se à justiça, à verdade e ao bem comum.

19.  Viaje pelo mundo sob o céu estrelado. Vivencie a prática da procissão de mendicância pelo menos uma vez na vida.

20.  Abra mão de todas as suas posses ao menos uma ou duas vezes na vida.

21.  A cada quatro ou cinco anos, empreenda uma viagem sozinho.

22.  Não se deixe cegar pelo amor. Não se traia por dinheiro.

23.  Não bata de frente com as coisas – aprenda a arte de ser sutil.

24.  Não há êxito sem persistência, diligência e determinação.

25.  Desenvolva autoconfiança, expectativas em relação a si mesmo e metas pessoais.

26.  Procure ouvir boas palavras e jamais esqueça o que elas significam.

27.  Não desperdice o seu tempo. Faça planos e use o tempo com sabedoria.

28.  Seja sempre sensato, pois a sensatez é imparcial e igual para com todos.

29.  Lembre-se dos erros cometidos. Tenha-os sempre em mente para não repeti-los.

30.  Seja qual for a sua função, desempenhe-a bem. Não olhe para os lados.

31.  Faça tudo com boa intenção, verdade, sinceridade e beleza.

32.  Não se apegue ao passado. Olhe sempre adiante.

33.  Lute sempre pelos seus objetivos e vá longe.

34.  Planeje sua carreira, use seu dinheiro com sabedoria, purifique seus sentimentos e não se apegue a fama e riqueza.

35.  Desenvolva compreensão e visão corretas. Não se deixe levar cegamente pelos outros.

36.  Renuncie a apegos insensatos e aceite a verdade com mente humilde.

37.  Não faça intrigas nem espalhe rumores. Não se deixe influenciar por eles.

38.  Aprenda a desenvolver sua mente, reformar seu caráter, recuar e dar guinadas na vida.

39.  Cultive méritos por meio de doações que estejam de acordo com sua capacidade, função, disposição e condição.

40.  Creia profundamente no Darma e contemple todas as virtudes. Nunca faça o mal; pratique sempre o bem.

41.  Não culpe os céus nem os outros por sua infelicidade, pois tudo tem sua causa e seu efeito.

42.  Pense no bom e belo ao invés de pensar no que é triste e penoso.

43.  Conquiste ao menos três tipos de habilitação ao longo da vida, como, por exemplo, para guiar automóveis, cozinhar, digitar, cuidar de enfermos, exercer a medicina, o magistério, o direito, a arquitetura etc.

44.  Aprenda a articular bem a fala e a escrita. Aprenda a ouvir, a apreciar, a pensar, a cantar, a pintar e a desenvolver habilidades. Quanto mais se aprende, melhor. Aprenda, ao menos, metade disso tudo.

45.  Leia ao menos um jornal por dia, para se manter em dia com o mundo.

46.  Leia pelo menos dois livros por mês.

47.  Mantenha uma rotina diária.

48.  Cultive hábitos regulares de sono e alimentação.

49.  Pratique exercícios físicos.

50.  Mantenha-se longe de cigarro, álcool, pornografia e drogas. Administre e controle sua própria vida.

51.  Pratique meditação por, pelo menos, dez minutos todos os dias.

52.  Passe, pelo menos, metade de um dia sozinho, uma vez por semana.

53.  Ao menos uma vez por mês, pratique o vegetarianismo, para nutrir seu coração de compaixão.

54.  Ajude os outros e faça o bem sem esperar nada em troca.

55.  Compartilhe sua alegria e compaixão com os demais.

56.  Mantenha a capacidade de se auto-avaliar sob qualquer circunstância.

57.  Reze pelos desafortunados, onde quer que você esteja.

58.  Seja preciso em suas observações. Considere todos os ângulos e seja tolerante e compreensivo em relação aos outros.

59.  Aprecie a vida, cuide dela e não a maltrate jamais.

60.  Use seu dinheiro e suas posses com sabedoria. Não desperdice nem gaste demais.

61.  Em tempos de alegria, contenha a sua fala; no infortúnio, não despeje sua raiva sobre os outros.

62.  Não enalteça seus próprios méritos nem aponte os erros alheios.

63.  Não inveje nem suspeite. Méritos advêm das realizações e da ajuda aos outros.

64.  Não seja ganancioso em relação às posses alheias, nem mesquinho em relação às suas.

65.  Demonstre coerência entre atitude e pensamento. Não seja iluminado na teoria e ignorante na prática.

66.  Não fique sempre pedindo ajuda aos outros. Busque ajuda dentro de si mesmo.

67.  Faça de sua própria conduta um bom exemplo. Não espere benevolência dos outros, mas de si mesmo.

68.  Cultivar bons hábitos é a melhor maneira de manter uma vida íntegra e saudável.

69.  É melhor ser não-inteligente do que não-compassivo.

70.  A mente otimista é contemplada com um futuro brilhante.

71.  Construa seu próprio destino. Corra atrás das oportunidades ao invés de esperar que elas caiam do céu.

72.  Controle suas emoções e seu humor: não se deixe levar por eles.

73.  Elogio e ofensa fazem parte da vida. Não se apegue a eles – conserve sempre a paz interior

74.  A doação de órgãos ajuda a prolongar a vida além de propiciar recursos para as vidas de outros seres.

75.  Ouça o que os outros têm a dizer e anote a essência do que eles dizem.

76.  Olhe para si mesmo antes de acusar os outros. Somente uma avaliação honesta de seus méritos e deméritos lhe dá o direito de julgar os demais.

77.  Cumpra suas promessas.

78.  Não viole o direito dos outros para beneficiar a si próprio. Favorecer os demais, às vezes, é imperioso.

79.  Não sinta prazer em ridicularizar os outros. Ao contrário, aprenda a fazê-los felizes.

80.   Não critique, por inveja, a benevolência do outro. Respeite-o e siga seu bom exemplo.

81.  Não use de traição para obter vantagens.

82.  Os privilégios devem, antes de tudo, ser oferecidos às outras pessoas.

83.  Aprenda a aceitar as desvantagens. Saiba que, na verdade, elas são vantagens.

84.  Não se apegue a perdas e ganhos. Não faça comparações entre o que você e os outros têm ou deixam de ter.

85.  Seja sincero, impetuoso e educado.

86.  Harmonia, paz e tranqüilidade são a chave para o relacionamento com as pessoas.

87.  Respeito, reverência e tolerância são a tríade para manter boas relações com o mundo.

88.  A raiva não resolve problemas. Somente uma mente tranqüila e pacífica pode ajudar você a lidar com a vida.

89.  Relacione-se com pessoas virtuosas e bons mestres.

90.  Não contamine os outros com sua tristeza, nem leve preocupações para a cama.

91.  Busque prazer e alegria em tudo o que faz, e transmita isso a todos.

92.  Seja grato aos benevolentes e aos que prestam auxílio. Deixe-se tocar por seus atos virtuosos.

93.  Dê um toque de serenidade a tudo o que você fizer na vida.

94.  Não existe dificuldade ou facilidade absolutas. O esforço transforma dificuldade em facilidade, enquanto a indolência torna o fácil difícil.

95.  Ajude seus vizinhos e sua comunidade e participe dos eventos locais. Assim, você se tornará um voluntário da humanidade.

96.  Só a humildade gera o bem. A arrogância não traz nada mais que desvantagem.

97.  Aproxime-se de mestres virtuosos. Ouça-os, seja leal e não os desacate.

98.  Ajudar os outros é ajudar a si mesmo. Ter consideração pelos outros significa cuidar e amar a si próprio.

99.  Dê aos jovens oportunidades e ofereça-lhes orientação sempre que necessário.

100.  Cuide de seus pais e seja amoroso com eles.

Mestre Hsing Yün

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A Disciplina Espiritual

O fundamento básico da meditação é purificar e experienciar a natureza verdadeira do corpo, dos pensamentos e das emoções. (...)
          
O estado sem corpo é o oposto da identificação com o corpo. Você está identificado com o corpo. Você não sente ‘Este é o meu corpo’, ao contrário, em algum nível você continua sentindo que ‘Eu sou o corpo’. (...)
          
Para abandonar a identificação com o corpo você tem que fazer algumas coisas. Você tem que aprender como abandoná-la. E quanto mais puro for o corpo, mais fácil será abandonar a identificação com ele. Quanto mais o corpo estiver num estado de pureza, mais rapidamente você se torna consciente de que você não é o corpo. Por isto, a pureza do corpo é a base e o estado sem corpo é o fruto final.
          
Como você pode aprender que você não é o corpo? Você terá que experienciar isto. Quando estiver de pé, sentado, dormindo ou andando, tente se lembrar, e se houver uma atenção correta, se houver um pouco de consciência das funções do corpo, você terá dado o primeiro passo para criar o vazio. 
          
Quando você estiver caminhando, olhe profundamente dentro de si, e você verá que existe alguém internamente que não está caminhando. Você está caminhando, suas mãos e pés estão se movendo, mas existe alguma coisa dentro de você que não está caminhando, que está apenas observando você caminhar.
          
Quando você tiver alguma dor na mão ou no pé, quando você tiver machucado o pé, então olhe para dentro, com atenção. Você está machucado ou é o seu corpo que está machucado e você está ficando identificado com a dor? Quando existir alguma dor no corpo, fique consciente: se a dor está acontecendo a você ou se você está simplesmente sendo uma testemunha da dor.
          
Quando você sentir fome, olhe com consciência para ver se você está com fome, ou se seu corpo está com fome, e você é apenas uma testemunha disto. E quando houver felicidade, também observe e sinta se essa felicidade está realmente acontecendo. 
          
Com tudo o que estiver acontecendo em sua vida, enquanto você estiver de pé, sentado, andando, dormindo ou despertando; o que precisa ser lembrado é estar atento para fazer um esforço constante e ver onde as coisas estão realmente acontecendo. Elas estão acontecendo verdadeiramente com você, ou você é apenas uma testemunha?
          
O seu hábito de identificação é profundo. Você pode até mesmo começar a chorar enquanto estiver assistindo um filme ou uma peça, ou pode começar a rir. Quando as luzes do teatro acendem, você secretamente enxuga as lágrimas para que ninguém as veja. Você chorou, ficou identificado com o filme. Você ficou identificado com o herói, o personagem, alguma coisa dolorida aconteceu com ele e você se identificou com esta dor e começou a chorar. 
          
Uma mente, ao pensar que tudo que ocorrer ao corpo está ocorrendo com você, está em estado de miséria e dor. E existe apenas uma causa para toda a sua miséria: a sua identificação com o corpo. E existe também apenas uma causa para felicidade: é quando sua identificação com o corpo se desmancha e você se torna consciente de que não é o corpo. 
         
Para isto é preciso a lembrança correta, atenção correta e observação correta das atividades do corpo. É um processo; o estado sem corpo acontecerá através da observação correta do corpo.
          É necessário observar o corpo. À noite, quando você for para a cama, é importante estar consciente de que o seu corpo está indo para a cama, não você. E pela manhã, ao sair da cama, é importante estar consciente de que seu corpo está saindo da cama, não você. Não foi você que dormiu, foi apenas o seu corpo. Quando você comer, esteja consciente de que seu corpo está comendo e quando você vestir roupas, esteja consciente de que as roupas estão cobrindo apenas o seu corpo, não você. Então, quando alguém machucá-lo, você será capaz de se lembrar de que é o corpo que está sendo machucado, não você. Desta maneira, com constante lembrança, num determinado ponto haverá uma explosão e a identificação será quebrada. 
          
Você sabia que quando está sonhando não há consciência de seu corpo? Você sabia que quando está em sono profundo você permanece inconsciente de seu corpo? Você se lembra de seu rosto? Quanto mais profundo você for dentro de si, mais você se esquece de seu corpo. Quando a consciência começa a retornar, a sua identificação com o corpo gradualmente retorna. De manhã, quando você acorda de repente, olhe para dentro e você será capaz de ver claramente que a sua identificação com o corpo também está acordando. Existe um experimento para quebrar esta identificação com o corpo. Se você fizer continuamente uma ou duas vezes por mês, ele irá ajudá-lo a quebrar a identificação. Tente compreender este experimento.
          
Relaxe o corpo da mesma maneira que nós estamos fazendo para a meditação da noite: faça com que o quarto fique escuro, dê sugestões a cada chakra, relaxando o corpo e entrando em meditação. Quando o corpo estiver relaxado e o seu ser estiver se tornado silencioso, sinta como se você estivesse morto. E torne-se consciente dentro de si, de que você está morto, de que as pessoas queridas estão se reunindo ao seu redor. Observe a imagem delas se reunindo em sua volta, o que elas estão fazendo, quais delas estão chorando, quem grita, quem está aflito. Observe-as com grande clareza; elas estarão visíveis para você.
          
Então veja que todas as pessoas da vizinhança, da localidade, assim como todas as pessoas queridas, se juntaram e amarraram seu corpo no caixão. Observe também isto. Veja as pessoas carregando o caixão e deixe que elas cheguem até o crematório, e então permita que elas o coloquem na pira funerária.
          
Observe tudo isto. Tudo é imaginação, mas se você experimentar tudo isto em sua imaginação, você será capaz de ver com clareza. E verá que elas puseram o seu corpo morto numa pira funerária; as chamas começaram a subir e o seu corpo morto começou a desaparecer.
          
Quando a sua imaginação alcançar o ponto em que o corpo morto desapareceu e a fumaça alcançou o céu, as chamas desapareceram no ar, e somente sobraram cinzas, imediatamente, com total consciência, olhe para dentro de si e veja o que está acontecendo. Naquele exato momento, de repente você descobre que não é o corpo, naquele momento a identificação será totalmente quebrada. 
          
Depois que já tiver feito este experimento muitas vezes, quando você levantar, quando você caminhar, quando você conversar, você saberá que você não é o corpo. Nós chamamos este estado de estado sem corpo. Alguém que venha a se conhecer através deste processo, se torna sem corpo.
          
Se você fizer isto todo o tempo, vinte e quatro horas por dia, caminhando, levantando-se, sentando-se, conversando e permanecendo consciente de que não é o corpo, então o corpo será simplesmente um vazio. É uma preciosidade rara saber que você não é o corpo. Nada é mais raro e nada é mais precioso que tornar-se desidentificado com o corpo. 
          
Depois que você fizer com o seu corpo este experimento do estado sem corpo, acontecerá dos seus pensamentos e suas emoções estarem purificados. E então, muitas mudanças começarão a acontecer em sua vida. Todos os seus erros e todos os seus atos inconscientes  estão conectados com o corpo. Você não comete um engano ou um ato errado que não esteja conectado ao corpo. E se você se tornar consciente de que não é o corpo, não haverá mais qualquer possibilidade de miséria em sua vida. 
          
Então se alguém cortá-lo com uma espada, você verá que ele cortou o seu corpo e estará consciente de que nada aconteceu a você. Você permanecerá intocado. Naquele momento você será como uma folha de lótus sobre a água. No momento em que você se torna consciente de seu estado sem corpo, a sua vida se tornará cheia de paz e sem perturbação. Então, evento algum, trovão ou tempestade, irá tocá-lo porque eles poderão tocar apenas o seu corpo. O impacto deles é apenas no seu corpo, eles afetarão apenas o corpo. Mas você pensa erroneamente que o impacto é em você, é por isto que você sofre e sente dor ou alegria.
          
Este é o primeiro estágio da disciplina espiritual: aprender a tornar-se livre do corpo. Não é difícil aprender e aqueles que se esforçam certamente conseguem experienciar. 
          
O segundo elemento da disciplina espiritual é a libertação dos pensamentos. Assim como eu disse que o estado sem corpo acontece através da observação correta do corpo, a liberdade dos pensamentos acontece através da observação correta dos pensamentos. O elemento básico da disciplina espiritual é a observação correta. Nesses três estágios você tem que olhar com atenção correta e observação correta tanto o corpo, como a mente e as emoções. 
         
Torne-se um observador da corrente de pensamentos que fluem através de sua consciência. Assim como alguém sentado ao lado de um rio observa o fluxo das águas, sente-se ao lado de sua mente e observe. Ou simplesmente como alguém sentado na floresta a observar os pássaros que voam enfileirados, sente-se e observe. Ou da mesma maneira que alguém observa o movimento das nuvens no céu, observe as nuvens de pensamento se movendo no céu de sua mente. Os pássaros de pensamentos voando, os rios de pensamento fluindo... da mesma maneira, silenciosamente nas margens, você simplesmente senta e observa o fluxo dos pensamentos. Não faça coisa alguma, não interfira, não os interrompa de maneira alguma, não os reprima. Se um pensamento estiver chegando, não o interrompa, se ele não estiver chegando, não o force a chegar. Você é simplesmente um observador. 
          
E nesta simples observação, você verá e experienciará que seus pensamentos e você são separados – porque você consegue ver que aquele que está observando os pensamentos está separado deles, é diferente deles. E quando você se torna consciente disto, uma paz estranha o envolve, porque você passa a não ter mais qualquer preocupação. Você poderá estar no meio de todos os tipos de preocupações, mas as preocupações não serão suas. Você poderá estar no meio de muitos problemas, mas os problemas não serão seus. Você poderá estar cercado por pensamentos, mas você não será os pensamentos. 
          
E se você se tornar consciente de que você não é seus pensamentos, a vida desses pensamentos começará a se enfraquecer, eles se tornarão cada vez mais sem vida. O poder de seus pensamentos está no fato de que você pensa que eles são seus. Quando você discute com alguém você diz, ‘Meu pensamento é...’ Nenhum pensamento é seu. Todos os pensamentos são distintos de você, separados de você. Seja apenas um observador deles.”

Osho

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

As Quatro Nobres Verdades Budistas



1ª - A Nobre Verdade do Sofrimento (Dukha Satya)
Nascimento é sofrimento; doença é sofrimento; morte é sofrimento. Tristeza, lamentação, dor, pesar e desespero são sofrimentos. Não ter o que se deseja é sofrimento; separação do que se deseja é sofrimento; união com o que não se deseja é sofrimento. Saudade é sofrimento; ser escravo de um passado já morto e de um futuro inexistente é sofrimento. Ser presa fácil de estímulos exteriores de toda ordem é sofrimento. Quando sopram os ventos da sensibilidade, nós vamos cegamente à sensualidade; quando sopram os ventos da raiva nós vamos cegamente à violência; quando sopram os ventos da agitação e da preocupação nós vamos cegamente em direção à ansiedade e à angústia; quando sopram os ventos da dúvida nós vamos cegamente ao ceticismo. Todo sofrimento – assim como toda a nossa felicidade – está na própria mente, pois nenhum inimigo nos poderá fazer tão infelizes quanto nossa mente mal dirigida. Também nenhum parente – seja pai, seja mãe, seja irmão – nos tornará tão felizes quanto nossa própria mente bem dirigida. Em resumo: os cinco agregados da existência quando objetos de apego, isto é,quando tomados como 'eu' e 'meu' são sofrimentos. Os cinco agregados da existência são: corpo, sensações, percepções, consciência e formações mentais 


2ª - A Nobre Verdade da Causa do Sofrimento (Mamudaya Satya)
Qual é a causa do sofrimento? É a ignorância, o desejo, o apego, a cobiça, o ódio e a ilusão. Mas, onde o desejo e a ignorância surgem? Onde estão suas raízes? Exatamente onde houver coisas deliciosas e agradáveis, lá o desejo e a ignorância surgem, lá eles têm as suas raízes. Visão, audição, olfato, paladar,tato e a mente são deliciosos e agradáveis; lá o desejo e a ignorância surgem, lá eles fincam raízes. Quando percebemos um objeto pela visão, se o objeto é agradável, a pessoa é atraída; e se é desagradável, a pessoa o repele. Então,seja qual for a sensação que experimente, se a pessoa o aprova e acha agradável; então, a sensação condiciona o desejo, e desejando a pessoa se apega ao objeto desejado. Assim, o desejo condiciona o apego. Quando a pessoa se apega, ela irá agir pela palavra ou pelo o corpo para possuir o objeto desejado. Deste modo, então, o apego condiciona a ação (Karma) ou processo de vir-a-ser. O processo de vir-a-ser (ou existência) condiciona o nascimento. Dependendo do nascimento, haverá decadência e morte, tristeza e lamentação, dor e pesar, ressentimento e desespero. Assim surge essa imensa massa de sofrimento.



3ª - A Nobre Verdade da Extinção da Causa do Sofrimento (Mirodha Satya)
O que é a extinção do sofrimento? É a completa erradicação e desaparecimento da ignorância, do desejo, do apego, da cobiça, do ódio e da ilusão, e, em conseqüência, o abandono e a libertação da ilusão do eu e do meu. Com a extinção da ignorância o desejo é extinguido. Pela cessação do desejo, cessa o apego. Pela cessação do apego o processo de vir a ser ou as ações (Karma) é extinguido. Pela cessação de vir-a-ser, o nascimento é extinguido. Pela cessação do nascimento, decadência e morte, tristeza e lamentação, dor e pesar, ressentimento e desespero serão extinguidos. Assim, se dá a extinção de toda esta massa de sofrimento.


4ª - Nobre Verdade da Senda que Leva à Extinção do Sofrimento (MaggaSatya)
Os dois extremos e a Senda do meio. Os prazeres sensuais, o comum, o vulgar, o mundano, sem qualquer sentido para o progresso na Senda espiritual. Ou: a mortificação do corpo que é dolorosa e também sem vantagem qualquer para a vida santa. Ambos estes extremos, o iluminado evitou e descobriu a Senda Média, a qual propícia qualquer um ver e compreender, que leva à paz, ao discernimento, à iluminação e ao Nirvana. A Senda Óctupla (Senda do Meio): 1) Linguagem Correta; 2) Ação Correta;3) Modo de Vida Correto; 4) Esforço Correto; 5) Atenção Plena e Correta; 6)Concentração Correta;7) Compreensão Correta; 8) Pensamento Correto.

Karma Familiar

Desenvolvimento Humano

Eventos

Terapias Naturais

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