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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O olho do furacão...

O que é simplicidade? não é propriamente, o resultado de uma simplificação no sentido de você ir resolvendo as coisas. Exemplo: quando você precisa trabalhar oito horas por dia e decide trabalhar apenas uma para simplificar sua vida, você não vai encontrar simplicidade como resultado.

O taoísmo deixa bem claro que dentro de um caminho da naturalidade, nós devemos saber cumprir nossas tarefas diárias, naturalmente dentro do espírito da simplicidade, ou seja, tendo a mesma simplicidade para resolver tanto um problema de troco com o feirante, quando para resolver uma grande questão na Justiça.

Um processo na Justiça é muito mais complicado do que R$ 0,50 que o feirante cobrou a mais de você. Aparentemente, então, o problema do troco é muito mais simples e o processo na Justiça muito mais complexo.

Mas a simplicidade que Lao Tzé se refere é aquela de você saber encontrar o espírito para poder administrar qualquer situação com o mesmo estado interior. Você vai administrar o problema dos R$ 0,50 que estão faltando no troco com a mesma simplicidade com que vai administrar o grande processo na Justiça. Os dois assuntos têm grau de complexidade diferentes, mas a simplicidade com que você vai administrá-los é a mesma.

Então, a simplicidade que Lao Tzé se refere é um estado interior. Em que as circunstancias e momentos nós somos capazes de encontrar essa simplicidade? De que maneira você pode conseguir ser mais simples interiormente para conseguir administrar suas coisas complicadas ou não? você vai encontrar essa simplicidade interior quando conseguir ter a quietude interior, quando tiver o silencio interior.

O que é quietude e silencio interiores? são uma espécie de calma e lucidez que você mantem dentro de você, que lhe permite observar as coisas sem ser levado por elas. Esse é um dos conceitos fundamentais do taoísmo.

O taoísmo também tem um conceito chamado “wu-Wei” (“wu” é não e “wei” é ação). Mas o que seria a não-açao? é fazer as coisas sem intenção. através da “não ação”, o que não significa você deixar de agir, deixar de fazer a ação. E como isso poderia se concretiza? A “não-açao” é um estado interior e a ação é uma atividade externa. Isso significa que você tem uma atividade externa sem atividade correspondente no seu interior.

Essa realidade poderia ser comparada a um furacão, que tem muito movimento à sua volta, mas no seu interior tem um vazio, uma quietude que é chamada de “olho do furacão”. Está claro, no entanto, que as nossas atividades externas cotidianas não precisam, necessariamente, ser fortes como o vento do furacão, mas de qualquer forma, essa imagem lembra os nossos incessantes envolvimentos com as pessoas, o trabalho, as situações, de um modo geral. É como se fosse o vento, que gira na periferia, mas enquanto ele gira, o nosso estado interior deveria ser como o olho do furacão. Estar sempre em plena quietude.

Dessa maneira, a ação através da não ação externa que preserva uma “não ação” interior: é uma atividade externa que mantém uma calma, uma quietude interior. Então, a quietude interior é exatamente o que nós chamamos de silencio, quietude e vazio interiores, que simplesmente nos permitem enxergar tudo à nossa volta com lucidez interior.

Quando nós perdemos esse “olho do furacão”, nossa consciência fica recebendo estímulos apenas do exterior e nós passamos a ficar envolvidos pelas situações. A partir desse momento, não somente a sua atitude física e material, mas o seu espírito também vão ficar envolvidos na periferia do turbilhão do ar, você vai ficar rodando em torno do “olho do furacão” e com isso vai começar a não enxergar direito o que acontece à sua volta e perder a lucidez.

Mas se você quiser manter essa lucidez, quiser continuar enxergando as coisas, vai precisar preservar a quietude interior. Esse é o primeiro ensinamento de Lao Tzé e é por isso que ele diz que sua palavra é bastante fácil de compreender e bastante fácil de praticar.

Como você poderia praticar? mantendo o silencio interior. Exemplo: da próxima vez em que você estiver conversando com outras pessoas, ou dando aula, trabalhando, discutindo, analisando, etc., enquanto estiver fazendo isso procure observar-se, procure colocar sua consciência observando o que você está falando e fazendo, como se aquele que se exterioriza fosse um e a consciência que observa fosse outro.

Nessa hora você vai observar que você são dois: existe um “eu”, que é você, e mais no fundo de você mesmo, no seu interior existe um outro “eu”, quieto, que observa o primeiro, que é aquele que fala, gesticula, conversa, se exterioriza e manifesta opiniões. Nessa hora, você começa a encontrar a quietude interior. Procura manter sempre essa quietude interior, sem que tenha que parar de cumprir suas atividades e tarefas cotidianas.

Wu Jyh Cherg

Projeções

Quando você se apaixona por alguém; você não se apaixona pela pessoa real, você se apaixona pela pessoa de sua imaginação. E enquanto vocês não vivem juntos,  e você vê o outro da sua sacada,  ou você o encontra na praia por alguns minutos, ou você segura suas mãos no cinema, você começa a sentir: “Somos feitos um para o outro” .

Mas ninguém é feito um para o outro. Você vai  projetando mais e mais imaginação sobre o outro, inconscientemente. Você cria um certa aura em torno dele e ele cria uma certa aura em torno de você. Tudo parece ser lindo, porque você faz tudo parecer lindo, sonhando, evitando a realidade.  E ambos ficam sonhando, tentando de todas as formas possíveis não perturbar a imaginação do outro.

Assim, a mulher se comporta do jeito que o homem quer que ela se comporte; o homem se comporta do jeito que a mulher quer que ele se comporte. Mas isso só pode durar alguns minutos ou algumas horas no máximo.

Uma vez que vocês se casem e tenham que viver juntos vinte e quatro horas por dia, torna-se uma carga pesada continuar fingindo alguma coisa que você não é.

Preencher a imaginação do homem ou da mulher, por quanto tempo você pode continuar representando? Mas cedo ou mais tarde torna-se um peso e você começa a se vingar. Você começa a destruir toda a imaginação que o homem criou em torno de você, porque você não quer ficar aprisionada nela; você quer se livrar daquilo e ser você mesma.

E a mesma é a situação com o homem: ele quer se livrar e ser ele mesmo. E esse é o conflito entre todos os amantes, em todas as relações.

A realidade é: somos sozinhos, somos estranhos e será muito melhor se aceitarmos a verdade básica de que somos estranhos. Podemos saber o nome um do outro, podemos ter visto o rosto um do outro muitas vezes – isso não importa. Nossos seres estão tão escondidos e tão lá no fundo, que não há como eu poder tocar o ser de alguém, ou possa ver o ser de alguém – e é aí que reside toda a estranheza. Mas não acho que isso seja uma catástrofe; pelo contrário sinto isso como uma benção. Se não fôssemos estranhos seríamos robôs. Nossa estranheza nos dá individualidade, singularidade.

Osho

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