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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Iluminação & Ilusão


A mente tem dois rostos, duas facetas, que são os dois aspectos da realidade. Estes aspectos são a iluminação e a ilusão.

A iluminação é o estado da mente pura. É o conhecimento não-dualista, chamado sabedoria primordial. Suas experiências são autênticas, isto é, elas são sem ilusão. A mente pura é livre e dotada de numerosas qualidades.

A ilusão é o estado da mente impura. Seu modo de conhecimento é dualista; é a consciência condicionada. Suas experiências estão maculadas pelas ilusões. A mente impura é condicionada e dotada de muito sofrimento.

Os seres comuns experienciam este estado de mente impura e deludida como sendo o seu estado habitual. A mente pura, iluminada, é um estado no qual a mente realiza sua própria natureza, livre das condições habituais e do sofrimento associado a elas. Este é o estado iluminado do buddha.

Quando nossa mente está em seu estado impuro, deludido, somos seres comuns que se movem através dos diferentes reinos da consciência condicionada. As transmigrações da mente dentro destes reinos fazem seus giros indeterminados na existência condicionada, cíclica, ou ciclo de vidas — samsara em sânscrito.

Quando purificada de toda ilusão samsárica, a mente não mais transmigra. Este é o estado iluminado de um buddha, é a experiência da pureza essencial de nossa própria mente, de nossa natureza búddhica. 

Todos os seres, quaisquer que sejam, têm a natureza búddhica. Esta é a razão pela qual todos podem realizar a natureza búddhica. Como cada um de nós possui a natureza búddhica, é possível atingir a iluminação. Se já não a tivéssemos, nunca poderíamos ser capazes de realizá-la.
Então, o estado comum e o estado iluminado são distinguidos apenas pela impureza ou pureza da mente, pela presença ou ausência de ilusões. 

Nossa mente presente já tem as qualidades do estado búddhico; essas qualidades permanecem em nossa mente, elas são a natureza pura da mente. Infelizmente, nossas qualidades iluminadas são invisíveis para nós porque estão mascaradas por diferentes mortalhas, véus e outros tipos de mácula.

Buddha Shakyamuni disse, "A natureza búddhica está presente em todos os seres, porém escondida por ilusões adventícias; quanto purificadas, eles são verdadeiramente o Buddha."

A distância entre o estado comum e o estado iluminado é o que separa a ignorância do conhecimento desta natureza pura da mente. No estado comum, é desconhecida. No estado iluminado, é totalmente realizada. A situação na qual a mente é ignorante de seu estado real é o que chamamos de ignorância fundamental. 

Ao realizar sua profunda natureza, a mente é liberada desta ignorância, das ilusões e condicionamentos que a mente cria, e então entra no incondicionado estado iluminado, chamado liberação.

Todos os ensinamentos de Buda e suas práticas envolvem a purificação, tirar as ilusões da mente, e proceder de um estado maculado para um imaculado, da ilusão para a iluminação.

Fonte: Kalu Rinpoche. Luminous mind: the way of the Buddha.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A Impermanência - O Grande Desafio!


O principal fator que determina um renascimento humano é o desejo. É um sentimento saliente em nossa vida. A partir disso, o que exatamente cada um procura depende da cultura, da educação, das preferências pessoais e das tendências habituais de vidas passadas. O desejo possui diferentes faces – por exemplo: apego, saudade e paixão – e sempre envolve um forte anseio de se conseguir satisfação e alegria pessoal. Uma vez que as necessidades físicas de cada um também são fortes, o desejo é a força determinante: a busca por amor e relacionamento. O desejo colore a percepção de maneira profunda e, a não ser que se liberte desse ponto de vista limitado, ele fará com que se explore a satisfação no mundo externo. O desejo é como o fogo, que sempre precisa de mais combustível.

Independência verdadeira
O budismo busca fazer com que os seres se tornem totalmente independentes. Uma independência verdadeira só pode aflorar quando se tem conhecimento sobre a mente. A mente está além dos dualismos do bem e do mal, da luz e da sombra, do masculino e do feminino, e assim por diante. Desta forma, a independência só pode ser obtida quando se vai além dos extremos do apego ou do afastamento. Mesmo assim, no que tange à busca pela felicidade, acaba-se afundando na lama das fixações dualísticas.

O que vem a ser a alegria suprema e como é possível atingi-la? Usualmente se pensa que a felicidade corresponde à ausência de sofrimento. 

A conseqüência disso é que se passa a lutar a favor ou contra alguma coisa, tentando sempre aproximar algo ou manter alguma coisa afastada. Ainda que se pense dessa maneira, a estratégia não conduz à alegria suprema. Ainda que se experimentem os melhores momentos, não se tem o poder de congelá-los, de forma a manter esses momentos de felicidade. 

Alguém pode estar às margens de um lago,olhando para os olhos da nova namorada, e ficar de tal forma encantado que não sabe se olha para os olhos dela ou para o lago... O vento sopra gentilmente, os pássaros cantam, enfim, tudo é perfeitamente romântico. Por mais que se queira, infelizmente, manter este momento é impossível.  A vida está em constante mudança, e a impermanência sempre interfere em nossas idéias, desejos e vontades. Justamente por isso, Buda definiu a impermanência como um dos maiores sofrimentos da humanidade.Ainda assim, pode-se aprender algo de muito importante através da impermanência. Pode-se aprender como basear o amor em uma constante percepção disso. Este treinamento abrirá a porta para o vazio ou a sabedoria. Uma vez perguntei para Lopön Tsetchu Rinpoche se ele percebia as montanhas da mesma forma que nós. Ele disse: “eu vejo as mesmas montanhas e também a sua beleza, mas, ao mesmo tempo, eu enxergo a sua natureza impermanente”.


O melhor que se pode fazer é confiar sempre no momento, estar sempre bem disposto a cada momento e aproveitar ao máximo o que quer que aconteça. Estar consciente sobre a impermanência é um passo importante em direção à sabedoria. Uma independência verdadeira significa estar feliz, independentemente de a namorada estar chegando ou partindo. Isso é um desafio e tanto, mas é isso o que se busca no budismo. Tenta-se perceber a verdadeira natureza da mente, que existe sem que tenha havido um começo.

A mente não foi criada; não tem uma natureza sólida; a mente não tem fim. Ela é uma vazão constante de momentos conscientes nos quais está presente a habilidade de experimentar, saber e compreender, e de se apaixonar. Com mais e mais relances da natureza da mente, a pessoa torna-se apta a experimentar a si mesma de maneira rica e a perceber que não há razão para se prender.

Ao ter acesso a essas qualidades da mente, cada um passa a ter muito a oferecer. A própria pessoa torna-se um presente para o mundo. Qualquer relacionamento torna-se mais rico quando se sabe o que se tem para dar. A vida torna-se mais rica e, em cada projeto, relacionamento ou tarefa que se participe, a pessoa tornase um “pilar firme”.

Fonte: http://www.caminhododiamante.org/php/publicacoes/anexo_55c3706c.pdf

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