sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A Impermanência - O Grande Desafio!


O principal fator que determina um renascimento humano é o desejo. É um sentimento saliente em nossa vida. A partir disso, o que exatamente cada um procura depende da cultura, da educação, das preferências pessoais e das tendências habituais de vidas passadas. O desejo possui diferentes faces – por exemplo: apego, saudade e paixão – e sempre envolve um forte anseio de se conseguir satisfação e alegria pessoal. Uma vez que as necessidades físicas de cada um também são fortes, o desejo é a força determinante: a busca por amor e relacionamento. O desejo colore a percepção de maneira profunda e, a não ser que se liberte desse ponto de vista limitado, ele fará com que se explore a satisfação no mundo externo. O desejo é como o fogo, que sempre precisa de mais combustível.

Independência verdadeira
O budismo busca fazer com que os seres se tornem totalmente independentes. Uma independência verdadeira só pode aflorar quando se tem conhecimento sobre a mente. A mente está além dos dualismos do bem e do mal, da luz e da sombra, do masculino e do feminino, e assim por diante. Desta forma, a independência só pode ser obtida quando se vai além dos extremos do apego ou do afastamento. Mesmo assim, no que tange à busca pela felicidade, acaba-se afundando na lama das fixações dualísticas.

O que vem a ser a alegria suprema e como é possível atingi-la? Usualmente se pensa que a felicidade corresponde à ausência de sofrimento. 

A conseqüência disso é que se passa a lutar a favor ou contra alguma coisa, tentando sempre aproximar algo ou manter alguma coisa afastada. Ainda que se pense dessa maneira, a estratégia não conduz à alegria suprema. Ainda que se experimentem os melhores momentos, não se tem o poder de congelá-los, de forma a manter esses momentos de felicidade. 

Alguém pode estar às margens de um lago,olhando para os olhos da nova namorada, e ficar de tal forma encantado que não sabe se olha para os olhos dela ou para o lago... O vento sopra gentilmente, os pássaros cantam, enfim, tudo é perfeitamente romântico. Por mais que se queira, infelizmente, manter este momento é impossível.  A vida está em constante mudança, e a impermanência sempre interfere em nossas idéias, desejos e vontades. Justamente por isso, Buda definiu a impermanência como um dos maiores sofrimentos da humanidade.Ainda assim, pode-se aprender algo de muito importante através da impermanência. Pode-se aprender como basear o amor em uma constante percepção disso. Este treinamento abrirá a porta para o vazio ou a sabedoria. Uma vez perguntei para Lopön Tsetchu Rinpoche se ele percebia as montanhas da mesma forma que nós. Ele disse: “eu vejo as mesmas montanhas e também a sua beleza, mas, ao mesmo tempo, eu enxergo a sua natureza impermanente”.


O melhor que se pode fazer é confiar sempre no momento, estar sempre bem disposto a cada momento e aproveitar ao máximo o que quer que aconteça. Estar consciente sobre a impermanência é um passo importante em direção à sabedoria. Uma independência verdadeira significa estar feliz, independentemente de a namorada estar chegando ou partindo. Isso é um desafio e tanto, mas é isso o que se busca no budismo. Tenta-se perceber a verdadeira natureza da mente, que existe sem que tenha havido um começo.

A mente não foi criada; não tem uma natureza sólida; a mente não tem fim. Ela é uma vazão constante de momentos conscientes nos quais está presente a habilidade de experimentar, saber e compreender, e de se apaixonar. Com mais e mais relances da natureza da mente, a pessoa torna-se apta a experimentar a si mesma de maneira rica e a perceber que não há razão para se prender.

Ao ter acesso a essas qualidades da mente, cada um passa a ter muito a oferecer. A própria pessoa torna-se um presente para o mundo. Qualquer relacionamento torna-se mais rico quando se sabe o que se tem para dar. A vida torna-se mais rica e, em cada projeto, relacionamento ou tarefa que se participe, a pessoa tornase um “pilar firme”.

Fonte: http://www.caminhododiamante.org/php/publicacoes/anexo_55c3706c.pdf

1 comentários:

Anônimo disse...

“Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque serão fartos.
“Bem-aventurados vós que agora chorais, porque haveis de rir”
Lucas, 6:21-22

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